deus
ou freud
ou a indústria farmacêutica
abriram um espaço seco
entre eu e o desespero
corram
caravanas de hebreus
com seus filhos e seus velhos lentos
antes que o mar se canse
ou cresça
ou desobedeça
os cavaleiros do mal
se afogarão com certeza
num castigo bem dado
(mas quem explicará que a ira
a indiferença ou a impotência
também condenem a inocência
dos cavalos?)
quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018
sábado, 27 de janeiro de 2018
terça-feira, 23 de janeiro de 2018
um nome nada singular
passada a vida
aos filhos às tarefas da cozinha
agora pinta quadros
dados como cria de gata
estradas de terra cercadas de flores
correm cavalos apenas imaginados
com pincéis sem jeito
anatomia falha
espalha sua obra assinada
um nome nada singular
quando termina outro bicho
bruto e belo querendo sair da tela
ao lado do saco de biscoitos
no silêncio da sala arrumada
sente o trote no peito
inspira a fumaça levantada
e abre passagem
para outra cavalgada
aos filhos às tarefas da cozinha
agora pinta quadros
dados como cria de gata
estradas de terra cercadas de flores
correm cavalos apenas imaginados
com pincéis sem jeito
anatomia falha
espalha sua obra assinada
um nome nada singular
quando termina outro bicho
bruto e belo querendo sair da tela
ao lado do saco de biscoitos
no silêncio da sala arrumada
sente o trote no peito
inspira a fumaça levantada
e abre passagem
para outra cavalgada
quinta-feira, 18 de janeiro de 2018
um fio separa lá daqui
ou uma parede de vidro
ou um muro de concreto
ou um oceano indiviso
ou aquela membrana morna
entre os músculos e os órgãos
entre o não e o verde vivo
um passo que não alcança
*
no final tudo tem fim
começo enquanto isso
um fio que separa o sim
e um corte que não descansa
amálgama de bobagens
com picos de importância
ou campos de capim
ou idas sem bagagem
*
ou rastros improváveis
de quem não fez viagem
ou cascos encobertos
de musgos imóveis
um fim me espera ao fim
paciente e autoritário
paterno como um delfim
filial feito um velório
ou uma parede de vidro
ou um muro de concreto
ou um oceano indiviso
ou aquela membrana morna
entre os músculos e os órgãos
entre o não e o verde vivo
um passo que não alcança
*
no final tudo tem fim
começo enquanto isso
um fio que separa o sim
e um corte que não descansa
amálgama de bobagens
com picos de importância
ou campos de capim
ou idas sem bagagem
*
ou rastros improváveis
de quem não fez viagem
ou cascos encobertos
de musgos imóveis
um fim me espera ao fim
paciente e autoritário
paterno como um delfim
filial feito um velório
segunda-feira, 15 de janeiro de 2018
insônia
uma companhia solitária une todas as pessoas insones do mundo
é muito diferente, eu sei, ter insônia no leito da rainha ou com a cabeça mal acomodada sobre as pedras. mas no fundo dos olhos abertos um mesmo assombro define a raça humana
quem foi a primeira pessoa que, ainda sem esse nome, estatelou na madrugada sem nenhum motivo além de um eco crescente na cabeça que badala: eu? nunca vamos saber. mas essa pessoa, ou quase, é tão eu quanto eu posso ser, agora às cinco da manhã, com medo de que o dia acorde sem que eu tenha ido dormir
o que nos une, um dna de ectoplasma, se você quiser, são esses gritos do silêncio, esse vácuo que ricocheteia na cabeça. é, em suma, o medo de não morrer: então o cansaço não vai me levar ao descanso? quando os olhos se fecham, é uma bênção tão abençoada que a gente nem consegue perceber
é muito diferente, eu sei, ter insônia no leito da rainha ou com a cabeça mal acomodada sobre as pedras. mas no fundo dos olhos abertos um mesmo assombro define a raça humana
quem foi a primeira pessoa que, ainda sem esse nome, estatelou na madrugada sem nenhum motivo além de um eco crescente na cabeça que badala: eu? nunca vamos saber. mas essa pessoa, ou quase, é tão eu quanto eu posso ser, agora às cinco da manhã, com medo de que o dia acorde sem que eu tenha ido dormir
o que nos une, um dna de ectoplasma, se você quiser, são esses gritos do silêncio, esse vácuo que ricocheteia na cabeça. é, em suma, o medo de não morrer: então o cansaço não vai me levar ao descanso? quando os olhos se fecham, é uma bênção tão abençoada que a gente nem consegue perceber
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