domingo, 31 de janeiro de 2016

áspera
a sola
de dez
mil
pares
de pés

roça
o chão
de navios
cavernas
casebres
igrejas
em que os parentes ganharam
e perderam seus nomes
eu nunca
vou saber

mais
do que meia dúzia
de palavras
a mãe da nonna
jogada no Atlântico
e o pai do nonno
louco
de tanto ler a Bíblia

partos
no meio do mato
estupros
e bichas perdidas
dos fatos
da família

imagino uma grande reunião
os mortos infinitos no sonho mais eu
nos olhando com espanto e reconhecimento
um lapso o rastro genético, e foda-se
é o que pensamos
segundos antes de virar as costas
e andando
acordar

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